Você sofre com dores crônicas?

Em 17/03/2017 , Comments

Se você sofre com dores crônicas, não deixe de ler esse texto! Ele pode ser a chave para a sua libertação! Trata-se de um trecho escrito pela psicóloga alemã Susanne Babbel especialista em trauma. Ela afirma que eventos traumáticos podem dar origem à dores crônicas e que essas dores, muitas vezes tem a função de alertar a pessoa para a necessidade de trabalhar as emoções.  

Estudos têm demonstrado que a dor crônica pode ser causada não só por lesões físicas, mas também por estresse e questões emocionais. Pessoas que sofreram trauma e sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) têm maior risco de desenvolver dor crônica.

A dor crônica é definida como dor física prolongada que dura mais tempo do que o processo de cura natural deveria. Esta dor pode resultar de lesões, inflamação, ou neuropatias (distúrbios dos nervos), mas algumas pessoas sofrem mesmo sem nenhuma destas condições. A dor crônica pode debilitar a capacidade de se mover com facilidade, pode dificultar seu funcionamento normal e a busca por alívio pode levar a vícios e, medicamentos de dor, o que agrava o problema. Também é frequentemente acompanhada por sentimentos de desesperança, depressão e ansiedade.

Muitas pessoas já estão familiarizadas com o fato de que o estresse emocional pode levar a dores de estômago, síndrome do intestino irritável e dores de cabeça, mas podem não saber que ele também pode causar outras queixas físicas e até dor crônica. Uma razão lógica para isso: os estudos descobriram que quanto mais ansiosas e estressadas ​​são as pessoas, mais tensos e constrangidos são seus músculos, o que os leva a tornarem-se fatigados e ineficientes ao longo do tempo.

A pessoa pode também desenvolver sintomas psicossomáticos ou sintomas relacionados ao estresse por causa de problemas emocionais não resolvidos. Estas não são novas descobertas, pesquisadores têm estudado a interrelação mente / corpo por várias décadas por causa da importância deste link.

Especialistas observaram que experimentar um evento traumático pode ter um impacto no desenvolvimento da dor. De fato, aproximadamente 15-30% dos pacientes com dor crônica também têm TEPT (transtorno do estresse pós-traumatico). Peter Levine, um especialista em trauma, explica que o trauma acontece "quando a nossa capacidade de responder a uma ameaça percebida é de alguma forma insuportável." A maioria dos pesquisadores discorda sobre uma definição precisa de trauma, mas concorda que uma resposta típica de trauma pode incluir sintomas fisiológicos e psicológicos, como torpor, superestímulo (hyperarousal), estado de alerta constante, pesadelos, flashbacks, sensação de impotência e "fobia social".

Durante um evento traumático, o sistema nervoso entra em modo de sobrevivência (o sistema nervoso simpático) e, por vezes, tem dificuldade em reverter para o seu modo normal e relaxado novamente (o sistema nervoso parassimpático). Se o sistema nervoso permanece em modo de sobrevivência, hormônios de estresse como o cortisol são constantemente liberados, causando um aumento na pressão arterial e açúcar no sangue, que por sua vez pode reduzir a capacidade de cura do sistema imunológico. Os sintomas físicos começam a se manifestar quando o corpo está em constante aflição.

Se alguém sofreu um trauma antes de sua lesão atual ou trauma, memórias antigas podem ser acionadas, exacerbando os efeitos do trauma mais recente. O Dr. Bessel van der Kolk, um conhecido pesquisador do assunto, explica; "Pesquisas mostram que em condições normais, muitas pessoas traumatizadas, incluindo vítimas de estupro, mulheres maltratadas e crianças vítimas de abuso, têm um ajuste psicossocial bastante bom, mas não respondem ao estresse como outras pessoas. Sob pressão, podem sentir (ou agir) como se estivessem traumatizadas novamente".

Muitas vezes a dor física exerce o papel de alertar uma pessoa de que ainda é preciso trabalhar o emocional, e também pode ser um sinal de trauma não resolvido no sistema nervoso. Mesmo que tenha sofrido e processado o impacto emocional de um trauma, o sistema nervoso pode estar ainda, involuntariamente, no modo de sobrevivência.

Maggie Phillips, autora de Reversing Chronic Pain, escreve: "Seja o trauma ligado ou não ao evento ou condição que originou a sua dor, ter uma condição de dor crônica é traumatizante em si". 

Embora a pessoa possa não estar ciente do efeito persistente de um trauma, ou acreditar que o evento traumático foi deixado para trás, o corpo poderia estar apegado a questões não resolvidas. A psicoterapia pode ajudar a resolver os problemas físicos.

 

Fonte: Susanne Babbel, Ph.D., M.F.T., psicóloga especialista em trauma e depressão.